Nuvem

Rio de Janeiro - RJ

Franco Kuster

TÉCNICA MISTA E COLAGEM
SEGREDOS DO UNIVERSO ONÍRICO E MULTICOR DE FRANCO KUSTER

Cores vibrantes, visões surrealistas e detalhes tridimensionais que saltam aos olhos traduzem-se como verdadeiras descobertas a cada apreciação. Não há como passear pela obra de Franco Kuster sem ter a curiosidade aguçada através dos matizes e dos objetos que integram cada tela deste jovem artista plástico, que se define como um “maluco pós-moderno que resolveu misturar tintas e reaproveitar objetos a fim de reproduzir sonhos e transmitir o seu jeito de ver as coisas”.

Nascido em Colatina, principal cidade do interior do Espírito Santo, Franco tem 26 anos, mora atualmente no Rio de Janeiro e tem uma promissora carreira artística em vários segmentos como o Teatro, a Dança e as Artes Plásticas. Sua primeira criação em tela, uma natureza-morta, foi realizada aos 13 anos, mas seu dom foi experimentado desde a infância, quando descobriu ainda na creche as cores e os desenhos. Sobre o dom artesanal, Franco acredita ter herdado da avó materna, que sempre costurou, bordou, pintou e fez crochê.

Franco utiliza em seus quadros a chamada “técnica mista”, que consiste, neste caso, em misturar tinta óleo à tinta acrílica. A aparente incompatibilidade dos dois tipos de tinta não desencorajou o artista a entregar-se às várias tentativas de se chegar a um ponto satisfatório nos efeitos que ele desejava imprimir às suas telas. Para dar um aspecto tridimensional à sua criação, é adicionado o processo de colagem, geralmente de pequenos objetos. Tudo o que lhe cai à mão é pretexto para figurar em um trabalho seu. Tampinhas de refrigerante, redes plásticas de proteção para frutas, miçangas, rolhas de garrafas de vinho, pregadores de roupas, pedaços de espelho, paetês, peças pequenas do hardware de um computador são apenas alguns dos ‘sem-fim’ de itens utilizados por Franco na concepção de suas obras. “Tudo o que reaproveitei ou era meu ou os amigos foram me dando”, explica.

Os temas e inspirações geralmente são provenientes de suas próprias vivências e principalmente do que aparece em seus sonhos. “Um dia eu falei: “vou tentar fazer uma coisa que eu sonhei”. E aí veio a tela “Sonho”, que foi a obra que eu mais gostei de pintar e é esse o estilo que eu quero seguir. Gosto de mexer no meu inconsciente e de brincar com a desconstrução de imagens”, afirma. Mas Franco não se limita apenas às telas para expressar a sua arte. Qualquer superfície, a exemplo de um estrado de cama, palha de coqueiro, uma persiana ou uma porta de guarda-roupa são verdadeiros desafios que ele prontamente abraça e transforma em arte a ser contemplada.

Suas influências artísticas são pautadas nas pinceladas soltas de Van Gogh e no surrealismo de Salvador Dali. Dentre esses mestres, o artista destaca a arte impressionista de Van Gogh. “É inspirador olhar para uma obra dele, coisa que me impacta desde o primeiro quadro que vi, em um livro da escola”, revela Franco. “Quis esse desafio para mim, aquele sentimento de querer marcar um instante, um momento”, continua. Além disso, Franco tem uma grande admiração pela Street Art (Arte de Rua) e afirma que é maravilhoso poder transformar muros sujos em arte.

Franco considera a sua participação como ator no legendário grupo Dzi Croquettes um divisor de águas para o crescimento de sua sensibilidade artística. O contato mais próximo e constante com os Dzis originais Ciro Barcelos (diretor) e Cláudio Tovar (responsável pelo figurino do grupo e que também possui de forma pungente a característica da colagem em seus adereços e cenários) foi fator determinante para que ele desenvolvesse uma identidade visual própria no seu processo de criação. “Ciro e Tovar inspiraram muito a expansão da minha arte. Só fui ganhando força e a vontade de continuar”, revela o artista.

Franco ainda lançou-se ao desafio de unir o seu dom da pintura à habilidade cenográfica de um de seus colegas de palco, o ator e cenógrafo Pedro Valério. Recentemente, os dois assinaram o cenário do espetáculo O Mágico de Oz, em cartaz no Teatro Vanucci, no Rio de Janeiro.

Sobre o impacto que a sua obra causa nas pessoas, Franco afirma: “Meus quadros são leves, alegres, dão uma sensação de bem-estar com curiosidade. As pessoas vão descobrindo os objetos colados e têm uma leitura diferente a cada olhar. E eu quero que essas pessoas despertem nelas mesmas a vontade de contemplá-los novamente, que tenham a capacidade em criar uma nova história em cima dos quadros e sintam que eu contribuí de alguma forma para o bem-estar delas”. Já a respeito de sua entrega à pintura, o olhar de Franco Kuster cintila: “Pintar, para mim, é me desligar completamente desse mundo, entrar num universo muito maior que o meu. É um prazer absurdo! Eu me sinto muito honrado e agradecido”, finaliza o artista.

 

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