Nuvem

Exposição “Atalho para Bem Ali”, no Murillo La Greca

A exposição Atalho para Bem Ali: entradas e saídas da arte contemporânea em Teresina será aberta ao público neste domingo (3), às 17h, no Museu Murillo La Greca.   A mostra, que tem a curadoria de Guga Carvalho e Solon Ribeiro, conta com  trabalhos de jovens criadores do circuito teresinense, como Adler Murad e Jell Carone, assim como experimentações visuais do multiartista piauiense Torquato Neto e seus contemporâneos.

Atalho para Bem Ali trata da questão do isolamento e vontade ou necessidade de criar caminhos, conexões. A primeira edição da exposição, exibida no Centro Cultural BNB de Fortaleza, em 2013, agregou obras nas quais era perceptível a necessidade da troca. “O discurso daquela exposição se fermentava meio que na ‘mensagem subliminar’ das obras. Naquele momento, pesou o alarde da descoberta da senha primeira: detectar a urgência do artista visual em Teresina em fugir da condição de isolamento. Ponto de onde achava honesto processar a aproximação”, conta o curador Guga Carvalho.

De lá pra cá, o discurso amadureceu e colocou em primeiro plano a atitude e a intenção do criador, ao invés da interpretação da obra. “A curadoria foi pensada como uma coisa que está acontecendo, é como se as obras não estivessem prontas, está tudo em processo. Os trabalhos não se encerram na exposição, é só uma passagem”, fala Guga.

Para esta mostra, foram selecionados três projetos que dialogam com a intenção de efetivar trocas e se deslocar além dos muros. De acordo com Guga Carvalho – que é mestre pelo Programa Interunidadades em Estética e História da Arte pela USP, com pesquisa sobre possibilidades da arte contemporânea no Piauí – o deslocamento de discurso foi essencial por permitir, principalmente, recuperar a permanência de Torquato Neto, em Teresina, em 1972, poucos meses antes de sua morte.

O curador explica que, nesse período, Torquato já havia se afastado do Tropicalismo e buscava experimentar a arte na capital piauiense, a que ele veio debochadamente a chamar de “super província”. “Quando ele chega em Teresina, ele procura dinamizar a cena de lá. Eu percebo que ele tinha um plano de criar uma agitação cultural na cidade. Meu objeto é dar conta das experimentações visuais e do pensamento sobre a contemporaneidade no Brasil, naqueles anos de transição. Tenho juntado, com algum esforço, fotos de filmes em super 8, poesias visuais, as cartas trocadas com pensadores da época,  entre outras coisas. Torquato, assim como Walter Benjamin, deixou suas melhores coisas em fragmentos. Pesquisá-los, exige constantemente fazer conexões entre peças soltas”, discorre.

Torquato Neto em still   - Filme Adao e Eva – do Paraiso ao Consumo

Em Atalho, a poesia visual Tristeresina, de Torquato, é apropriada por Guga Carvalho para o “rascunho-projeto” apresentado na mostra, que conta também, com uma carta a Hélio Oiticica, filmes e still de Torquato e de outros autores do período, como Antônio Noronha, Durvalino Couto e Edmar Oliveira, além de uma apropriação – atual – de Danilo Medeiros.

Para além do resgate da produção de Torquato Neto em Teresina, Atalho para Bem Ali traz também a perspectiva da criação artística contemporânea em Teresina. No projeto Não Lugar, de Adler Murad e Paulo Scharlach, os artistas fazem do deslocamento por vários países e cidades a condição intrínseca do seu trabalho acontecer; a circulação é parte estruturante do processo criativo e não mero escoamento.

Já no trabalho do coletivo piauiense Morada Plástica, formado por Jell Carone, Marília Moraes, Iegor Rainer e Nelson Moura, intitulado Insólitos Balões, há uma articulação entre instalação, vídeos, fotografias e um dispositivo performático, para que as pessoas interajam com o projeto. O grupo tem percorrido diferentes espaços urbanos para investigar o que pode acontecer na interação com a “cabeça de balões”.

A Exposição Atalho para Bem Ali foi contemplada no Edital de Artes Visuais da

Prefeitura de Recife e fica aberta para visitação até o dia 17 de setembro.

 

Serviço:

Abertura da exposição Atalho para Bem Ali:  entradas e saídas da arte contemporânea em Teresina 

Quando: Domingo, 3 de agosto, às 17h

Onde: Museu Murillo La Greca, Rua Leonardo Bezerra Cavalcanti, 366, Parnamirim

Visitação até 17 de setembro

Horário de funcionamento: segunda a sexta,  das 9h às 12h e das 14h às 17h, e sábados e domingos, das 14h às 17h.

Informações: (81) 3355-3127 / 3355-3126

Entrada franca