Nuvem

Exposição Caminho da Pedra, de Demetrio Albuquerque – Parque D. Lindu

A sutileza da arte em estado bruto 
Exposição Caminho da Pedra, de Demetrio Albuquerque, narra a relação do artista plástico com o material e as transformações causadas pela ação da natureza  

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Fotos: Alessandra Botelho

O uso da pedra como instrumento pelos nossos antepassados faz parte da lista de temas que dá início aos nossos primeiros contatos com o estudo da história da humanidade. O material, que se transformou continuamente, vem se perpetuando tanto na natureza quanto na cultura geral até os dias de hoje. Foi esse o mote que instigou o artista plástico Demetrio Albuquerque a conceber a sua nova exposição individual, Caminho da Pedra. A exposição entra em cartaz a partir de 27 de agosto, na Galeria Janete Costa, no Parque Dona Lindu.

Caminho da Pedra é o resultado do trabalho de pesquisa que o artista vem desenvolvendo ao longo dos últimos anos, de forma mais específica, com as técnicas da cerâmica pernambucana. Por meio do novo trabalho, Demetrio evoca o pensamento do cientista escocês James Hutton (1726 – 1797) – considerado o pai da geologia – que desenvolveu a teoria sobre o mundo mineral afirmando que não pode haver “nenhum vestígio do começo e nenhuma perspectiva do fim”, pois na natureza tudo se transforma.

De acordo com Demetrio Albuquerque, a exposição se propõe a narrar o gesto artístico primordial sobre a pedra e sua relação com as transformações do material pela ação da natureza. “A exposição é uma espécie de balanço da minha carreira de escultor. Tem uma hora que surge a necessidade de fazer algo mais conceitual e através de pesquisas comecei a me interessar pela formação dos solos. A ideia foi voltar a algo mais primitivo, mas ao mesmo tempo unindo a uma coisa mais científica”, comenta o artista plástico.

O conjunto das obras expressa essas características, influências e dinâmicas que são narradas através do percurso onde a contemplação de cada obra/personagem provoca a memória ou curiosidade, tanto pelo aspecto artístico formal, quanto pela reflexão sobre a “ciência” de sua confecção.
A mostra também passa pelo sertão nordestino – cenário no qual se encontram vestígios da ocupação humana dos povos antigos da América Latina e do encontro dos descendentes desse homem primitivo com os colonizadores e posteriormente com outros grupos humanos que chegaram. A partir dessa miscigenação surge o trabalho artístico com barro e argila – tema explorado por Demetrio Albuquerque que traça um paralelo entre a transformação e sedimentação da pedra e ao mesmo tempo do homem que a trabalha.

A EXPOSIÇÃO - A viagem simbólica de Caminho da Pedra começa a partir da movimentação dos minerais desde a rocha bruta até a argila de aluvião, representada pela obra “Ígnea”, onde se vê o rosto de uma figura humana integrada com a própria pedra como uma só coisa. Em seguida a “Erosão”, a dissolução pela água e pelo vento, reações da própria dinâmica que torna possível a matéria. A escultura representa uma figura humana nascendo ou se enterrando na pedra. Em seguida a instalação da mostra se funde com pedras espalhadas pelo terreno e entre elas está a escultura “Pétreo”, uma figura montada numa pedra que nos lembra de que a civilização existe a partir desta.

O segundo movimento desta mostra nos leva ao artista que experimentou suas primeiras vivências com a argila na comunidade japonesa de ceramistas de Ashikaga-shi. Neste ponto vemos suas ligações sociais no conjunto ”Emboladas”, onde são retratadas as manifestações da arte popular como o carnaval e da população como Canudos, ou em “Ciranda”, onde estão cabeças de gente do povo. Continuamos diante de grupos alegóricos que são como projetos para monumentos, e percebemos a marca dos escultores do Recife como Abelardo da Hora, Corbiniano Lins, Brennand e Jobson Figueiredo – artistas que se confundem com o Recife.

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O ARTISTA - Demetrio Albuquerque Silva Filho (Piauí, 1961) é formado em Arquitetura e iniciou as atividades como escultor frequentando os ateliers de escultores em Recife. Em 1987, ganha o concurso para o Monumento Tortura Nunca Mais. Segue para Curitiba, onde faz o curso de escultura do Centro de Criatividade do Parque São Lourenço com orientação do escultor Elvo Benito Damo. Ganha o prêmio João Turim (91) de aquisição no 1º salão do Museu João Turim em Curitiba com as esculturas Migrante e Andaluz. Muda-se para o Japão onde faz curso de cerâmica (Yakimono) e realiza a exposição Karada em Ashikaga-shi. Volta para Pernambuco e se estabelece em Olinda, passando a produzir esculturas de grande porte: “A Pedra” Jardim de esculturas do Shopping Recife; “Caboclo de Lança”, Av. Chico Science – Olinda; “Circuito dos Poetas do Recife” com 12 estátuas; “Dom Helder”, Recife; “Monumento a Augusto dos Anjos” na Praça Pedro Américo, João Pessoa PB; Mestre Vitalino, Caruaru.

Serviço: 
Exposição – Caminho da Pedra
Abertura: 27 de agosto – 19h
Visitação: 28 de agosto a 04 de outubro
Onde: Galeria Janete Costa – Parque Dona Lindu – Av. Boa Viagem, s/n
Horários: quarta a sexta – 12h às 20h / sábados e domingos – 14h às 20h
Exposição com áudio-descrição a partir do dia 06 de setembro de 2015
Acesso gratuito.

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