Nuvem

JOANAS MOVIMENTOU A GALERIA JOANA D’ARC

Representações da mártire francesa em noite de pura efervescência artística animaram a galeria Joana D’Arc na última quinta (28).
Por Matheus Fábio/IdeiaPress

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A multiplicidade das Joanas. A história de Joana D’Arc, a guerreira francesa da Idade foi retratada de várias formas, jeitos e traços na exposição Joanas.
Com curadoria da Nuvem Produções, a mostra levou com obras de 22 artistas parceiros que mostraram, cada um a seu modo, sua relação com a Santa. O convite veio de Claudia Aires, sócia da produtora, que buscou parceiros para retratar em arte a história da personagem que dá nome à Galeria Joana D’Arc. O evento foi mais um dentro da programação de aniversário do espaço, que completou 25 anos este mês.

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Foto: Lucas Oliveira\Revista Sim

Cada Joana um apresentava uma história e a relação íntima do espírito artístico de cada autor com sua representação da mártire. Daaniel Araújo, Melk Z-Da, Glatt Fairy, Karina Agra, JotaZeroff, Nando Zeve, Joana Gatis, Galo de Souza e Thayo Digliani foram alguns dos participantes.

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Geral

As Joanas trouxeram o empoderamento feminino, as lutas das mulheres no Oriente Médio, a quebra de paradigmas, o apelo ante o preconceito e o machismo, a força da figura de guerreira transposta em cor e sentimento.
David Nascimento, por exemplo, utilizou a técnica de impressão com carimbo para representar a sua. A palavra ‘corpo’ foi posta inúmeras vezes até formar o rosto de uma mulher. Ele viu na paquistanesa Malala Yousafzai, Nobel da Paz. “Acredito que a figura de Malala reflete uma Joana D’Arc em força nos dias atuais’’.

Thayo Digliani foi outro que olhou para a mulher do Oriente Médio para retratar sua Joana. Escolheu representar a bravura e luta feminina pela liberdade e igualdade de direitos. O formato do quadro revelou uma Joana visionária e com a cabeça erguida. Remonta os olhares de grandes personagens na história que trouxeram à tona o sentimento de revolução diante de abusos.

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Thayo

O ontem e o hoje nunca estiveram tão interligados pela espécie de ‘ponte’ que se tornou a figura da heroína francesa nas mãos dos pintores e seus trabalhos no evento artístico.
O convite da Nuvem para Melk Z-Da foi uma oportunidade para retomar sua relação com as artes visuais. ‘‘Eu já era um grande fã de Joana D’Arc. Quando o convite apareceu eu meio que vi como um incentivo para voltar a ilustrar, já que criando roupas andava bastante atarefado com a moda’’.
Melk define sua Joana como “gótica e contemporânea” e trouxe o universo da moda para a textura da obra, que tem detalhes em bordado, pedras e brilhantes. ‘‘É uma técnica que junta ilustração com elementos vivos, no caso, as pedras e os elementos bordados que eu chamo de Ilustra Couture. Assim, minha Joana ficou mais gótica e contemporânea’’, explicou.

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‘‘Na verdade, o trabalho veio de outro. Quis fazer uma Joana mais jogada, despojada, um pouco mais limpa. Então, pintei o quadro com a mão e com bitucas de cigarro. Foi Foi algo rápido com spray, meus dedos e o cigarro focando o fogo e os elementos importantes para a construção da figura dela’’. Essa foi a explicação de Galo de Souza para revelar os detalhes do seu quadro.

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Galo de Souza

A exploração dos dois lados de Joana D’Arc, o feminino e a guerreira, foram os principais pontos definidos por Karina Agra para explicar o conceito de sua obra.
‘‘É tudo sobre a defesa e a autoafirmação como mulher’’, contou Karina Agra. ‘‘Minhas obras sempre têm toques de sensualidade, portanto, ao mesmo tempo em que minha Joana expõe seu poder como figura feminina ela está com uma espada nas mãos, mostrando o quanto é guerreira e poderosa. As escamas também remontam a imagem da sereia, dando mais detalhes femininos para a mulher que salvou a França durante dois anos’’.

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Karina Agra

Jota ZerOff, usou madeira para a representação da personagem da Idade Média. ‘’Eu quis utilizar madeira para dar um tom mais rústico a obra e assim fazer com que ela dure muito tempo. Minha Joana significa o renascer e fazendo com este material de carroceria de caminhões trouxe um destaque para a sua figura de guerreira e batalhadora. A princípio a obra não era sobre Joana D’Arc, porém, a representação dessa mulher na minha obra trouxe diretamente a ligação’’, revelou.

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A obra de Glatt Fairy foi uma mescla de símbolos, artistas e expressões trabalhadas em tons quentes de vermelho e preto. A figura medieval pintada no quadro era uma clara inspiração de ícones da cultura pop como Madonna e David Bowie, arraigados a movimentos LGBT. Glatt fez menção direta à luta por direitos das transexuais e quebra da velha estética de padrões patriarcais e machistas. A espada erguida trazia o sentimento de revolução junto ao poder de guerra de Joana D’Arc, transformado e simbolizado pela cor forte que na época significava hegemonia das tropas e grandes exércitos em batalha.

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performance de Glatt Fairy

A performance de Glatt Fairy reforçou a estética da sua tela. Ao lado da atriz Brenda Bazante, o artista representou uma Joana vítima de padrões impostos pela sociedade. A apresentação trazia a ligação da figura guerreira que foi Joana, vivida por Brenda, e a força e coragem da mulher atualmente para ser a dona do próprio destino, das próprias escolhas.
“Algumas Joanas nascem João (…), toda mulher nasce Joana”, dizia Brenda em um trecho da interpretação.

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Performance Glatt Fairy com participação de Brenda Bazante

O agito ficou por conta dos DJs convidados Clemente Barbosa e Evandro Q?, do bar Iraq, e foi até 1h da manhã. Festão!

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Clemente Barbosa

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Evandro Q?

A Exposição fica em cartaz até o dia 28 de junho, agende sua visita no 81 98175 7208.